terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Um quarto de hora


Num quarto de hora
O vento muda de direção
O céu muda de cor
Pessoas mudam de emprego
Um homem
De opinião

Derruba-se um mito
Num quarto de hora

Num quarto de hora
Eu caso e separo
Lavo o meu corpo
Danço e me decepciono

Eu me apaixonei
Em um quarto de hora.

Em um quarto de hora
Já é meia-noite
Talvez outro dia
Outro mês
Um novo ano começa

Escrevo um poema
Em um quarto de hora

Um quarto de hora
É muito tempo
E a vida
Tão curta


segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Cervical


Hoje parcelei as minhas costas
Da lombar à cervical
Fui da lombalgia
À protusão discal
Meu eixo
Dividido em muitas vezes
Debilita certamente
Meu estado normal
Torto que sou em linha reta
Sobre a minha coluna que dói
Sofrer em tantas vezes
Não pode ser legal
De tudo me desfaço
Meus discos
Meus livros
Meu CD do Simonal
Quero de volta a minha coluna inteira
E que chegue ao fim do mês.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Mulher


Decifra-me
Se te interesso
Respeita-me
Porque eu mereço
Dá-me um dia
Quero o ano
Amo agora
Depois talvez odeie
Não sou forte
Não sou fraca
Delicada muito menos
Atitude não me falta
Tempo faltava
Paciência
Devagar
Meu cérebro não é meu ventre
Entenda os meus desejos
E talvez eu te queira um dia
Prazer
Mulher

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Aqui

                                                                                                   

Aqui
Ouve-se tudo
Sabe-se nada
Olhos de cego
Boca de mudo
Se vier eu saio
Se disser eu nego
Mente limpa
Cara pintada
Nariz de borracha
Nada de cheiro
Um sonho
Utopia
Impossível talvez
Um palhaço
Ou um chinês
Contar novamente até três
E voltar a sorrir




domingo, 11 de janeiro de 2015

Memória





Lembranças de um menino
De pais jovens
Do vô da vó
Do medo do escuro
De quando dormia só

Lembranças do meio da rua
De ver os outros passando
Da moça bonita nua
Impressa em folha de revista
Da inocência perdida na palma da mão

Lembranças de um som na vitrola
De um tango de Carlos Gardel
Lugares passados
Corrientes
Recuerdos de Montevidéu

Lembrança recente
De ver e dizer o que sente
Imagem desfocada
No reflexo da lágrima que escorre torta
Pela vala cavada no seu rosto envelhecido

Ver 
Conhecer 
Reconhecer
Fugir do castigo que é esquecer de tudo

Memória

Viver