quarta-feira, 18 de junho de 2014

Leitor maluco


Um leitor maluco aponta a ponta do seu apontado nariz para dentro de um livro
e das folhas daquele livro despontam palavras que ele ainda não conhecia
e de lá surgem campos e planos que de fato nem existiam
mas o maluco, de tão maluco, tudo lê até o final da última frase
e por dentro de tudo que lê, viaja a lugares onde só as palavras dali estiveram
Mas que maluco que chora e ri, quando percebe sentir o que não fazia nenhum sentido,
Pensando que ali não estava, quando dali não havia saído.
Que maluquice de alguém que é maluco um tanto assim,
Que viaja parado e percorre distâncias que nunca cansam,
Que desvenda segredos misteriosamente ocultos dentro da sua própria cabeça
E que sonha acordado, quando o sono lhe parece estranhamente distante.
Mais maluco se mostra, que noutro livro mergulha a afiada ponta do seu nariz,
Um bom e velho nariz de maluco,
Que a todo maluco orienta, mirando seus olhos a tão diversos destinos.
Em todo livro que abre, ideias diferentes semeiam-lhe a mente.
Decide o maluco, por fim, dividir o seu pensar com outros malucos mais malucos do que ele.
E foi isso que fez o maluco
Apontando a ponta apontada do seu lápis de fino grafite às folhas de um caderno em branco...


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